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Semaglutida oral: existe Ozempic em comprimido?

Saiba quais as opções de semaglutida em comprimido e quais as diferenças principais entre os medicamentos.

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Tempo de leitura: 6 min
Atualizado em 29 de junho de 2026
Aviso importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍ ‌​‍‌‍‍‌‌‍‌‌‍‍‌‌‍‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‍‌‍‍‌‌‍

Se você chegou aqui pesquisando "ozempic comprimido", provavelmente quer saber se existe uma alternativa às injeções. A resposta curta: existe semaglutida em comprimido, sim, mas não se chama Ozempic.

Essa confusão é compreensível. O Ozempic ficou famoso como símbolo dos tratamentos GLP-1 para emagrecimento, e muita gente usa o nome como sinônimo da classe inteira. Na prática, porém, o Ozempic® é exclusivamente uma formulação injetável. A versão oral da semaglutida tem outro nome comercial: Rybelsus®.

Os dois medicamentos contêm o mesmo princípio ativo e funcionam de forma semelhante no corpo. São produtos distintos, com apresentações, esquemas de administração e indicações regulatórias diferentes.

O que é a semaglutida oral

A semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor GLP-1, um grupo de medicamentos que imita a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Esse hormônio sinaliza saciedade ao cérebro e ajuda a regular os níveis de glicose no sangue.

Um desafio farmacêutico

Transformar a semaglutida em comprimido não foi simples. A semaglutida é um peptídeo, uma espécie de proteína pequena, e o estômago tem o hábito de quebrar proteínas antes que sejam absorvidas. É por isso que a maioria dos medicamentos dessa classe existia até pouco tempo apenas em forma injetável.

A solução veio com uma tecnologia chamada SNAC, um composto que facilita a absorção da semaglutida pelo revestimento do estômago. Por causa disso, o comprimido precisa ser tomado em condições específicas: em jejum, com pouca água, sem outros alimentos ou medicamentos por um período depois. A absorção depende dessas condições para acontecer de forma adequada.

Como a semaglutida oral funciona no corpo

Um equívoco comum é achar que a semaglutida acelera o metabolismo. O que ela faz é diferente: ao ativar os receptores de GLP-1 no cérebro, o medicamento aumenta a sensação de saciedade e reduz a fome. A pessoa passa a comer menos, não por esforço, mas porque sente menos vontade de comer.

Há também um efeito sobre o esvaziamento gástrico: os alimentos permanecem mais tempo no estômago, prolongando a sensação de estar satisfeito. Essa combinação de sinais leva a uma menor ingestão de calorias ao longo do dia.

No caso da versão oral, existe uma limitação relevante: a biodisponibilidade é de cerca de 1%, segundo a bula. Apenas uma pequena fração do que é ingerido chega à circulação e produz efeito.

A versão injetável, aplicada uma vez por semana, não passa pelo estômago e apresenta menos interações com alimentos e medicamentos de uso diário, o que contribui para maior previsibilidade no tratamento.

Para entender melhor as diferenças entre as formulações, vale ler o que os estudos mostram sobre os efeitos colaterais do Ozempic.
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O que os estudos mostram sobre a eficácia

O programa de estudos OASIS avaliou doses mais altas de semaglutida oral especificamente para controle de peso.

  • No OASIS 1, publicado no The Lancet em 2023, participantes que receberam 50 mg diários tiveram redução média de 15,1% do peso corporal após 68 semanas, contra 2,4% no grupo placebo. Entre os participantes, 85% perderam pelo menos 5% do peso, 54% perderam pelo menos 15% e 34% chegaram a 20% ou mais.
  • O OASIS 4, publicado no New England Journal of Medicine em 2025, avaliou uma dose menor, de 25 mg, e encontrou redução média de 13,6% em 71 semanas. Resultados ainda expressivos, ainda que inferiores aos da dose maior.

Para comparação, a semaglutida injetável mostrou resultados semelhantes no STEP 1, com perda média de 14,9% em 68 semanas na dose de 2,4 mg.

Os dados do OASIS 1 com 50 mg oral se aproximam desses números, o que levou a Novo Nordisk a descrever os resultados como "comparáveis", com a ressalva de que são populações, doses e vias de administração diferentes.

Na prática clínica, cada pessoa responde de forma distinta, e a escolha entre oral e injetável depende de uma avaliação individual com o médico. Veja também a comparação direta entre Wegovy e Ozempic para entender como as formulações injetáveis se posicionam entre si.

Semaglutida oral no Brasil

Semaglutida oral no Brasil

O Rybelsus® foi aprovado pela Anvisa em 2020 e está disponível no Brasil. Sua indicação aprovada, porém, é exclusiva para diabetes tipo 2. O uso para obesidade é considerado off-label, ou seja, fora da indicação formal da bula, e só pode ser avaliado caso a caso por um médico.

As doses mais altas estudadas para emagrecimento, de 25 mg e 50 mg, ainda não estão disponíveis no Brasil. Os estudos foram concluídos recentemente e o processo de aprovação regulatória leva tempo.

E o o orforglipron?

Vale mencionar também um segundo comprimido GLP-1 que está no horizonte: o orforglipron (Foundayo), desenvolvido pela Eli Lilly.

Diferentemente do Rybelsus, é uma molécula pequena não peptídica, o que permite absorção sem o protocolo de jejum exigido pela semaglutida oral. Foi aprovado pelo FDA em abril de 2026 e o pedido de registro está sob análise da Anvisa. A expectativa da Eli Lilly é que o medicamento chegue ao mercado brasileiro até o segundo semestre de 2027, a depender do ritmo da análise regulatória.

O que isso significa na prática

As principais entidades brasileiras da área, como ABESO e SBEM, reforçam que tratamentos para obesidade não se resumem ao medicamento. Eles precisam integrar ajustes alimentares, atividade física, acompanhamento regular e metas realistas. A semaglutida oral pode ser uma ferramenta importante dentro desse contexto, mas não funciona como solução isolada.

Vale lembrar também que a Anvisa proibiu a manipulação de semaglutida. Versões manipuladas não têm segurança comprovada e não devem ser usadas como alternativa às formulações aprovadas. Tanto a versão oral quanto a injetável podem ter papel no tratamento, mas é o médico que define qual faz sentido para cada caso, de acordo com histórico, rotina e objetivos do paciente.

O que lembrar

  • Ozempic em comprimido não existe. A versão oral da semaglutida se chama Rybelsus e é um produto distinto.
  • A semaglutida oral usa tecnologia SNAC para ser absorvida pelo estômago, com biodisponibilidade de cerca de 1%. Por isso exige protocolo específico de administração.
  • No OASIS 1, a dose de 50 mg levou a redução média de 15,1% do peso em 68 semanas. As doses estudadas para emagrecimento ainda não estão disponíveis no Brasil.
  • O Rybelsus é aprovado no Brasil para diabetes tipo 2. O uso para obesidade é off-label e depende de avaliação médica.
  • A manipulação de semaglutida é proibida pela Anvisa.
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Perguntas Frequentes

Referências
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  1. Knop FK, et al. Oral semaglutide 50 mg taken once per day in adults with overweight or obesity (OASIS 1): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial. The Lancet, 2023
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  1. Wharton S, et al. Oral Semaglutide at a Dose of 25 mg in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of Medicine, 2025
icon³
  1. ABESO/SBEM. Pharmacologic Treatment of Obesity in adults and its impact on comorbidities: 2024 Update and Position Statement. Archives of Endocrinology and Metabolism, 2024
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  1. Wilding JPH, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP 1). New England Journal of Medicine, 2021
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  1. ABESO. Caneta de semaglutida: a Anvisa aprova 1 injeção semanal para tratar a obesidade. ABESO, 2023
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Agência Brasil. Anvisa proíbe versões manipuladas da semaglutida, usada no Ozempic. Agência Brasil, 2025